domingo, 24 de abril de 2011

É chegada a hora

“É podemos marcar pra quarta à noite”, nossa aquilo deu um frio no coração, um medinho, mais ao mesmo tempo um alívio e lá vamos nós, ligar para o povo e avisar quando seria o grande dia.
Minha mãe mais uma vez ficou muda no telefone, não sabia nem o que falar, minha sogra e cunhada disseram “quarta agora?”.
Então, na terça-feira fui ao centro da cidade, passei na igreja, rezei pedindo a Deus para que desse tudo certo, depois peguei uma carona com a minha cunhada e fui pra Pilar ver meus pais, meu marido foi me buscar à noite.
Na quarta-feira acordamos tranqüilos, tomamos café, fiquei arrumando as últimas coisas, eu deveria ficar em jejum de 5 horas e chegar ao hospital por volta das 17:00 hr, quando saímos de casa chovia muito, aquelas chuvas de verão, chegamos ao hospital e ainda continuava a chover, meu marido foi fazer a ficha da maternidade e fiquei sentadinha esperando na recepção.
Subimos até o quarto que ficava do lado da sala de cirurgia, conheci o quarto onde íamos ficar, depois disso chegaram meus pais e meus sogros, me desejaram boa sorte, e entrei na sala de preparação.
Foi colocada a sonda, depois fui para uma outra sala esperar o médico chegar, fiquei lá sentadinha sozinha, essa foi a parte mais difícil, não tinha com quem conversar e o tempo não passava, veio uma enfermeira e avisou que o médico ia atrasar um pouquinho pra ajudar, e fiquei ali esperando mais ou menos das 18:00 até a chegada do médico as 20:00s, parece que aconteceu tanta coisa desde que fui para a mesa de cirurgia, e, no entanto foram apenas alguns minutos, tomei a anestesia, aplicada por um rapaz com uma carinha de criança, que confesso, me assustou, por parecer tão novinho, ainda mais com tudo que falam sobre a anestesia, mas como dizem “já que tá que vá” e mesmo porque naquela situação, já na mesa de cirurgia, só o que me restava era relaxar e rezar, e valeu rezar.
O médico estava acompanhado da esposa os dois iam conversando e fazendo o serviço, e reclamando que tinha bastante gordurinha, como se eu estivesse preocupada com isso naquela hora, eu só sentia uns empurrões na minha barriga, parecia que eles estavam mexendo em uma gelatina, bem mole, sensação bem esquisita.
Depois de alguns minutos pude ouvir o tão esperado chorinho do nosso bebê, me lembro bem da enfermeira me mostrando aquele nenenzinho pitininhu, roxinho, chorãozinho mais LINDO, ela o levou para dar os primeiros cuidados enquanto os médicos começavam a costurar, logo depois ela o trouxe de volta tive que controlar o choro, mas me lembro bem quando ela esfregou no meu rosto, aquela pelizinha macia, me lembro até hoje da sensação maravilhosa, segurei o choro, pois parecia que se chorasse a barriga começava a pular e pensei “eles não vão conseguir costurar direito assim, então ENGOLE O CHORO, vamos ENGOLE O CHORO”, aí veio outra parte chata a espera para ir até o quarto, estava super ansiosa para ver meu marido e todo o pessoal que tinha ido até lá.
Quando cheguei ao quarto todos já tinham ido embora, pois, já era bem tarde, mas meu maridão estava lá, com um sorrisão lindo me esperando. Depois de um tempo veio o nosso maior tesouro, nosso filho lindo branquinho, pouco cabelo, dedos compridos, olhos acinzentados lindo, lindo, lindo.
Passamos a noite tentando fazer com que ele aprendesse a mamar no peito, no outro dia recebemos as visitas. O primeiro banho foi dado pela enfermeira, mas ela logo avisou “preste bem atenção, pois, o próximo é com VOCÊ”. E assim, foi.
Na sexta-feira ficamos aguardando a liberação do médico, eu não via a hora de ir para casa, sai do hospital de camisola mesmo, nem esperei meu marido ir buscar outra roupa.
Saímos do hospital eu, meu marido, minha mãe e nosso maior tesouro, naquele dia eu queria que o carro flutuasse, pois parecia que qualquer buraquinho incomodaria nosso filhote (mal sabíamos nós que esses buraquinhos eram propícios para o sono do nosso garotão).
Chegamos em casa minha cunhada tinha arrumado tudo para nossa chegada, no domingo me lembro que recebemos bastantes visitas e depois que as visitas foram embora, me deitei em cima da cama e chorei, chorei muito, minha mãe perguntou por que estava chorando já que estava tudo bem? E eu disse estou chorando de felicidade.
Fiquei muito sensível, ainda bem que tenho uma família maravilhosa um marido mais que maravilhoso que me apoiou em todas as horas e até hoje, um ano e quase sete meses continua me apoiando.
Depois do nascimento do Arthur fiquei afastada da faculdade por três meses, mas tendo que fazer trabalhos para compensar e do serviço por cinco meses, fiquei em casa cuidando dele com a super ajuda da minha mãe, passado o período de afastamento, retomei a faculdade e o serviço, fiquei trabalhando até outubro depois pedi para ser mandada embora, e fiquei apenas com a faculdade até o fim do ano, pois era o ultimo – “Graças a Deus”.
Ficar em casa foi a escolha mais acertada, pois não tem dinheiro no mundo que pague, que compense perder de acompanhar passo a passo o desenvolvimento de um filho, sinto pelas pessoas que não tem o privilégio de fazer essa escolha como eu tive.
A cada dia uma descoberta nova, seja um sorriso, um angu gugu dada, tudo emociona, e encanta.
Definitivamente, tudo vale a pena, se você tem um filho, sejam as noites mal dormidas, pois ele acorda chorando ou querendo mamar a cada 2 horas e você morrendo de sono ainda consegue olhar para aquele rostinho colado em seu peito e dar um sorrisão de felicidade, se me contassem não acreditaria que isso é possível, mas aconteceu comigo, ter que trocar fraldas e fraldas de xixi e cocô de hora em hora até isso é maravilhoso. Acredite ser mãe é literalmente padecer no paraíso, mas um padecer inexplicavelmente maravilhoso.
Hoje comecei a relembrar essas coisas e decidi registrar essas lembranças aqui, como uma forma de fazer com que elas não se apaguem. Nosso reizinho hoje já está com um ano e quase sete meses e acabou de acordar e pediu pra assistir o cocó (cocoricó), que ele adora, está lá no sofá, eu vou começar a fazer o jantar, arroz com cenoura, batata, mandioquinha e feijão com couve e carnina (carninha) que ele adora.
Meu marido vai trabalhar até tarde hoje, confesso que quando isso acontece fico bastante chateada não sei, parece que vai me dando uma agonia, para variar fico ansiosa, nervosa, parece que quero comer um boi com rabo e tudo, como se isso fosse me fazer sentir melhor, hoje estou desanimada com o regime que deveríamos estar fazendo, pois no fim de semana já exagerei um pouquinho (muito na verdade) e hoje não almocei, mais já tomei sorvete, e agora estou morrendo de fome. Acho que vou dar uma ligadinha para minha mãe, quem sabe conversando um pouco eu me distraio.
Dia 29 de agosto de 2007, acordamos cedo às 5:30hs, meu marido já saiu para trabalhar, hoje ele fará uma entrevista para um novo emprego, vamos ver vou rezar para que se for para ser melhor para nós, que Deus ajude, que corra tudo bem. Quanto ao nosso reizinho folgadão, dormiu de novo.
É muito engraçado ver o quanto nosso reizinho já fala, parece um papagaio repete tudo que a gente fala, e ainda repete no mesmo tom de voz.
Ele começou a andar com um ano e 1 semana, os primeiros passos foram em direção ao pai, foi muito bom estarmos os dois presentes nesse momento tão marcante.
A primeira palavra para frustração de muitos foi água ou aba como ele diz, depois foi uma sucessão de palavras, mó, cacá, gol, titi, tetê (mamadeira), peti (chupeta), mana (banana) papai, mamãe, uma das palavras que mais tentávamos ensinar e não saia nada era vovô e vovó, e demorou, e foi num belo dia assistindo televisão vendo uma fita gravada no sítio do meu pai que ele falou pela primeira vez, mas achei que eu tinha me enganado, mas no dia seguinte encontramos com minha sogra e ele virou e disse bobó, imagine a felicidade dela. Agora ele já fala quase perfeitamente peixe, queijo, chopeta, chapéu, boi, aca (vaca), eite (leite), none (danone), monê (Simone), andeja (Andrezza), choé (chulé), pé, taco (talco), quevê (escrever) doche (doce), boo (bolo) e muitas outras coisas que agora nem consigo lembrar.
A primeira junção de palavras com o intuito de formar uma frase eu acho, foi tocaoboi (tocar o boi), depois veio o oqueeicho (o que é isso?).
Vou tentar me lembrar de todos os momentos desde o nascimento, e descrever aqui, pois já percebi que com o tempo a gente parece que esquece, com quanto tempo ele falou a primeira palavra, quando começou a dar tchauzinho, essas coisas.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A confirmação

No dia seguinte sem contar nada a ninguém, marquei uma consulta para as 19:00 hs e de manhã, fui até um laboratório e fiz o exame, me lembro de ter deixado um cheque calção no valor do exame, pois, para o convênio cobrir tinha que ter o pedido do médico e, eu só passaria com o médico à noite, a atendente foi super camarada, deixando eu fazer o exame assim mesmo, mas também se tivesse que pagar o exame e estivesse mesmo grávida pagaria com gosto, mas se acontecesse como em outras vezes e fosse apenas coisa da minha cabeça, ficaria mais chateada se ainda tivesse que pagar por um exame negativo.
Fui trabalhar normalmente, se é que isso era possível, depois do serviço fui correndo para o laboratório pegar o exame, quando sai com o exame na mão, abri ali mesmo no meio da rua, e para minha alegria deu POSITIVO, foi um misto de choro e riso eu parecia uma doida ali no meio da rua rindo mais ao mesmo tempo com vontade de gritar de chorar, sei lá.
Era no dia 13 de junho, dia do aniversário do meu marido, e que PRESENTE nós dois tínhamos ganhado, e como eu ia contar a boa nova a ele, quando cheguei em casa, ele já havia chego do trabalho, então peguei o resultado do exame e coloquei no meio do cartão de aniversário, quando entreguei o cartão, ele abriu um sorrisão meio abobalhado e disse:
- O que é isso?
Com uma cara de quem não estava acreditando que o sonho estava se tornando realidade.
Depois de comemorarmos com muitos beijos e abraços, pegamos o telefone e começamos a espalhar a notícia, todos ficaram felizes, mas ao mesmo tempo surpresos, minha mãe nem falava nada no telefone.
No dia seguinte contei para o pessoal do serviço, e minha chefa mandou que me registrassem na mesma hora, pois, até então eu era estagiária, daí pra frente foi só alegria, tirando os primeiros meses de enjôo, ainda bem que eu só tinha vontade de comer feijão, arroz e verdura, engordei 14 kg o que foi considerado bom levando-se em consideração o fato de ter tendência a engordar, e sem contar o fato de que eu já estava bem acima do peso, mais pela primeira vez na minha vida me sentia uma “gorda” muito feliz.
A gravidez transcorreu super tranqüila, tirando a sensibilidade própria das grávidas, me comportei bem, só fiquei um pouco mais chorona que de costume, um dos momentos que me recordo que foi o auge da sensibilidade, quando meu marido alugou um filme chamado “Brigada 49”, uma história verídica com bombeiros, nossa chorei muito, mais muito mesmo de soluçar, parecia até que tinha morrido alguém da família, fui dormir dando aqueles suspiros de quando a gente chora demais, nunca vou me esquecer, me marido para variar tentando me acalmar e eu chorando, hoje dou muitas risadas quando me lembro disso, mas no dia foi triste.
Nos últimos meses da gravidez, a ansiedade tomou conta e, além disso, fazia um calor medonho naquele ano, a previsão do médico era de que seria no máximo até 20 de fevereiro, eu estava ficando desesperada, parecia que o tempo não passava, parei de trabalhar no dia 23 de janeiro, comecei a me preparar para o grande dia, no dia 06 de fevereiro uma segunda-feira eu e meu marido fomos para consulta, e o médico me examinou e disse que poderíamos marcar a cesárea, já que o danadinho estava sentado desde os primeiros meses, o médico saiu da sala dizendo que ia consultar a agenda, eu e meu marido ficamos imaginando pra quando seria, de repente o médico volta e diz.

As expectativas

Desde que nos casamos, eu e meu marido Dé começamos a sonhar com um filho, casamos em maio de 2002 e em dezembro do mesmo ano parei de tomar o anticoncepcional, e a partir daí, foi uma sucessão de altos e baixos, momentos de calmaria, e outros de total euforia, engordei bastante, pois descontava na comida toda minha frustração.
Na expectativa de engravidar, comecei a procurar médicos para saber se tinha alguma coisa errada, pois o tempo passava e o tão esperado bebê não chegava.
A primeira médica foi Dra. Sônia, tenho trauma até hoje só de lembrar as coisas que ela me disse:
- “Você tem que procurar uma psicóloga, e não pense que ter filho é simples a sua vida nunca mais vai ser a mesma, etc.” (e nunca mais foi à mesma, mudou, mas ao contrário do que ela disse, mudou pra melhor).
Depois disso resolvi que queria fazer faculdade, e comecei em 2003 o curso de Ciências Contábeis e logo depois resolvemos mudar de cidade.
Procurei um outro médico, que nos pediu alguns exames, fizemos todos e realmente não tinha nada de errado fisicamente era apenas uma questão emocional, mas o médico foi super tranqüilo e me disse para não ficar nervosa, e me lembro como se fosse hoje, ele abrindo a porta do consultório para eu sair e dizendo “não se preocupe vocês não tem nenhum problema, eu garanto que logo, logo você vai estar grávida”.
E foi assim mesmo, depois de um tempo, a cabeça com outras ocupações, a faculdade e a mudança de cidade, e um belo dia, as vésperas do aniversário do meu marido, senti um negócio esquisito como se a menstruação fosse descer e me lembrei não sei porque do que uma tia minha havia dito, sobre quando ela estava grávida “eu pensei que não estava grávida, porque sentia que já ia descer, mas não descia”, e foi assim que aconteceu comigo, me lembro de estar andando em um hipermercado, quando senti que ia descer e fui até o banheiro e não tinha descido, aí me deu um estalo, SERÀ?

Diário de mãe

Hoje é, 27 de agosto de 2007, eu sou Dal, mãe de Arthur, hoje começo a escrever as coisas que vem ao meu pensamento, as coisas que sinto em meu coração, esse diário é realmente um modo de me distrair, de desabafar, de descrever o que sinto e de fazer com que daqui a alguns anos eu possa me lembrar melhor de todos os momentos dessa experiência maravilhosa que é ser mãe.
Vou tentar me lembrar de como tudo começou, e relatar as lembranças que me vierem na memória.